Se Schwarzenegger está deprimido, ele certamente não está deixando isso transparecer. De fato, a política da Califórnia é considerada algo impossível (“É preciso atravessar um labirinto, para chegar a um campo minado, e depois atravessar uma série de obstáculos”, diz o governador), mas por trás de seu charuto, Schwarzenegger celebra uma série de feitos bem-sucedidos, que inclui reformas no seguro dos trabalhadores estatais, melhorias no sistema escolar e a construção de diques. O governador conseguiu a difícil tarefa de manter os aumentos nos gastos abaixo da inflação. Seu grande arrependimento foi não ter construído mais: Schwarzenegger fala com carinho de sua visita à Coreia do Sul, na qual se encantou com o horizonte repleto de guinchos e máquinas de construção.
Então o governador tem dados que o defendam. Seu problema na verdade está nas expectativas que não foram alcançadas, incluindo provavelmente a sua própria. Quando Schwarzenegger chegou ao governo do estado em meio à saída prematura de Davis, a ideia era que o protagonista de “O Exterminador do Futuro” seria capaz de mudar a menos governável grande economia do mundo. Seu eleitorado não foi decorrente unicamente de seu status de celebridade. Seu republicanismo hedonista estava mais próximo do centro moderado que da fragmentada legislatura militante.
Desde então, admitem os amigos de Schwarzenegger, o governador foi várias vezes derrotado pelo governo. Mas teria sido sua culpa? O governo da Califórnia é fraco, uma mistura competitiva de distritos, onde o orçamento é determinado pelas urnas. O governador usou esse sistema de referendo para driblar a legislação, mas os votos do centro o derrubaram: uma série de reformas foi derrubada por sindicatos do setor público em 2005, e Schwarzenegger se viu nos mesmos embates nos quais seus inimigos triunfaram. Um democrata se refere a ele como “um negociador de Hollywood”, cujo talento está em dividir os espólios, e não em travar batalhas políticas.
Ainda assim, Schwarzenegger conseguiu a reeleição em 2006, e se alinhou com o centro. Desafiou os direitistas, repetindo que o sistema carcerário prende pessoas demais, defendeu e conseguiu vencer na questão das pensões do setor público, e levantou a bandeira das reformas. “Ele não desiste”, diz um de seus aliados.
No fim, este homem sortudo foi vítima de um grande azar político. Seus sucessores terão as vantagens das reformas políticas que ele introduziu. Além disso, o clima mudou. Há sete anos, os californianos estavam furiosos o suficiente para elegê-lo, mas não para apoiá-lo. Agora, vários deles percebem o caos que toma conta de seu estado.
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