Os Jogos Olímpicos sempre reservam surpresas para o público. Certas provas revelam esportes estranhos à nossa cultura mas que despertam interesse e curiosidade. Foi assim que nos apaixonamos – nas Olimpíadas de inverno de 2010 – pelo curling, aquele jogo coletivo disputado em uma pista de gelo onde o objetivo é lançar – deslizando – pedras de granito o mais próximo possível de um alvo, utilizando para isso a ajuda de atletas equipados com vassourinhas. Curioso é que alguns desses esportes já têm até suas associações no país.
Dizem os fãs da escritora J.K.Rowling que o Quadribol, esporte dos bruxos na série Harry Potter, é inspirado nas regras de rugby, basquete, futebol e futebol americano, com o auxílio do meio de transporte da categoria: a vassoura. A combinação de dois ou mais esportes, ou sua adaptação para outro território, pode resultar em outras modalidades como o futevôlei, por exemplo, ou nos deixar confusos diante da tela de TV: “afinal, o que está sendo exibido é rugby ou futebol americano? E qual é a diferença entre o softball e o baseball?”
A primeira vez que o mundo moderno assistiu, por exemplo, a uma partida de badminton, foi nos Jogos Olímpicos de 1974, em Munique, como esporte de demonstração. Reconhecida a relevância do jogo pelo Comitê Olímpico Internacional, o badminton passou a valer medalhas nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. A popularidade do esporte – principalmente na Ásia – foi comprovada quando 1,1 bilhão de pessoas assistiram aos oito dias de competição na televisão. Nascido na Grécia Antiga, o jogo ressurgiu na Índia no século 19 com o nome de “Poona” sendo levado pelos colonizadores para a Inglaterra. Daí o nome badminton – a propriedade em Gloucestershire onde os ingleses despertaram para esta nova paixão – um misto de vôlei, tênis e peteca, se é que isso é possível. Lembra o vôlei porque tem uma rede no meio da quadra. O tênis, pois se usam raquetes. Já a “bola” é uma pequena e leve peteca. Os jogos duram, em média 45 minutos e são disputados em games de 21 pontos. O vencedor é o que ganhar primeiro dois games. Se houver empate no game em 20 pontos, vencerá aquele que abrir dois de vantagem. Havendo empate até os 29, vencerá aquele que fizer primeiro os 30 pontos.
O presidente da Confederação Brasileira de Badminton, Celso Wolf Júnior, revela ao Opinião e Notícia que nossas chances em Londres se resumem ao nome de Daniel Paiola, número 74 do ranking mundial. Para 2016, segundo ele, a perspectiva aumenta: seis atletas promissores preparam-se na Malásia e devem surpreender. Uma curiosidade do esporte: as melhores petecas são feitas da asa esquerda do ganso. Dizem que o bicho dorme sobre a asa direita, danificando as próprias penas. Vivendo e aprendendo…
O jogo romano Paganica inspirou o golfe moderno – esporte que tem a propriedade de emagrecer os atletas enquanto engorda suas contas bancárias – quando praticado com perfeição. O gramado verdinho – o “green” – com 18 buracos faz o golfista andar cerca de seis quilômetros por jogo – desde que não utilize aqueles carrinhos elétricos – e dura, em média, quatro horas. Num país tropical como o nosso, pode ser bem desgastante – e caro. São 14 tacos na bolsa carregada por um caddie, roupas e sapatos especiais, além de exigir requisitos básicos de educação por seus praticantes – não encontrados numa boa “pelada” de rua, por exemplo. Estima-se que 26 milhões de norte-americanos e três milhões de europeus pratiquem o esporte que recuperará o status olímpico em 2016, no Rio de Janeiro.
Prepare-se para correr dos brutamontes
Rugby e futebol americano têm semelhanças: o objetivo é agarrar aquela bolinha oval e colocá-la na linha de fundo adversária. Parece fácil, não? O problema é que para chegar até lá você terá que enfrentar musculosos brutamontes que pesam entre 100 e 140 quilos dispostos a tudo para tomar o balão de couro de suas mãos. Outro aviso: eles têm em média 1,90m de altura e correm muito mais do que você imagina. Só resta uma saída: fugir alucinadamente – e para o lado certo, por favor. Se for alcançado, quatro deles cairão sobre você. Vá por mim: o badminton e o nado sincronizado são bem menos arriscados. Disputado em quatro das sete primeiras edições dos Jogos Olímpicos modernos – 1900, 1908, 1920 e 24 – o rugby voltará em 2016. Quase um desconhecido no Brasil, o jogo desperta paixões em mais de 120 países. A Copa do Mundo de rugby, por exemplo, é o terceiro maior evento esportivo do planeta, com audiência de mais de quatro bilhões de pessoas.
Gerente de Comunicação da Associação Brasileira de Rugby, Virgílio Franceschi Neto lembra que este é o segundo esporte mais praticado do planeta e surpreende: “Foi Charles Miller quem trouxe o jogo para o Brasil, junto com o futebol. Nosso país tem 30 mil praticantes e dez mil atletas federados”, revela. Uma partida de rugby union (com quinze jogadores) dura cem minutos e a de rugby seven (com sete atletas), é concluída em 20 minutos.
Outros dois esportes que nos deixam um pouco tontos são o baseball e o softball. O segundo deriva do primeiro. São jogos de equipes que arremessam uma bola de couro em direção ao adversário que deve responder com uma tacada forte e certeira, bem longe do alcance do “inimigo”. Entre as diferenças estão o tamanho da bola que no Softball é maior e é lançada como quem joga uma bola de boliche – mas sem permitir que ela caia no chão – enquanto no baseball é atirada como uma pedra. Outra diferença é que o campo de baseball, o “diamond”, é maior. Dizem que, apesar do nome, o softball não tem nada de soft – macio ou suave – e que é, na verdade, mais duro que o baseball.
No centro do Rio de Janeiro, a Rua Jogo da Bola não faz alusão ao “nobre esporte bretão” – como chamavam o futebol os locutores mais antigos e empolados – mas a um tipo de boliche, com bolas e pinos (bilros) de madeira, diversão trazida pelos portugueses muitos anos antes de a primeira “pelada” ser disputada por aqui. No vocabulário específico do esporte estava a expressão “cagou”, usada quando o jogador fazia – digamos assim – uma jogada de baixo índice técnico. Talvez por isso o jogo não tenha atingido os ideais esportivos cultivados pelo Barão de Coubertin – o idealizador dos Jogos Olímpicos modernos.
Fonte:opinião e noticias
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